|
Trabalho publicado no livro Qualidade e Produtividade em Software, 4ª edição renovada, Makron Books, São Paulo, 2001 .
Gislene Regina Durski
A seguir, são apresentados os resultados da primeira pesquisa de Produtividade Sistêmica do setor de software no Brasil, cujos dados foram levantados pela Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT/SEPIN [consulte www.mct.gov.br/sepin] e analisados pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Paraná – IBQP-PR [consulte www.ibqppr.org.br].
Gestão pela Produtividade Sistêmica
Introdução
Em um contexto mundial, a expansão da atividade de software constitui atualmente uma das mais importantes mudanças. O Brasil, seguindo esta tendência, apresenta, nas últimas décadas, diversas iniciativas voltadas para o desenvolvimento do setor, as quais abrangem a preocupação com o acompanhamento e mensuração dos resultados. Entretanto, a ênfase sempre tem sido a melhoria da qualidade e pouco tem sido analisado no que diz respeito à melhoria da produtividade, quando o ideal é enfatizá-las igualmente.
Cientes dessa necessidade os organizadores da Pesquisa "Qualidade e Produtividade no Setor de Software Brasileiro" solicitaram ao IBQP-PR apoio, no sentido de disseminar o conceito e a análise da produtividade sistêmica.
O Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná - IBQP-PR é um instituto sem fins lucrativos, localizado em Curitiba, e que tem como objetivo estudar, pesquisar e desenvolver ações que permitam definir, medir, analisar, acompanhar e melhorar a produtividade no Brasil nos níveis Macro, Semi-macro, Setorial, Cadeias Produtivas e Empresas [SHI97, SUM94 e JPC98], em especial utilizando-se de metodologias e conceitos que permitam analisar a produtividade de forma multifatorial como a Produtividade Total dos Fatores [JPC98] e o conceito da Produtividade Sistêmica – PS. Quando do convite, o IBQP-PR adaptou a metodologia de medição às características do setor e, a partir de 2000, iniciou a divulgação dos Indicadores da Produtividade Sistêmica no Setor de Software Brasileiro. O objetivo principal desta parceria é contribuir com a disponibilização de resultados quantitativos, de forma a proporcionar o conhecimento e as comparações necessárias sobre a produtividade, visando sua melhoria contínua.
Base conceitual da produtividade
A fórmula básica de medição da produtividade é a seguinte:

onde o output pode ser representado pelo resultado quantitativo em um determinado período e o input pelos recursos utilizados para se alcançar este resultado.
De uma forma restrita, a produtividade dos recursos materiais, humanos ou tecnológicos pode ser medida desta forma [NPB92].
Medidas de output (resultado obtido)
Para mensuramos a produtividade de recursos materiais, humanos ou tecnológicos podemos utilizar as seguintes medidas de output:
-
Quantidade de Produção – quando expressamos o output em termos de volume físico. Por exemplo, o output de um hotel pode ser representado pelo número de clientes atendidos ou o total de ocupação deste hotel, em um determinado período.
-
Valor da Produção – quando o resultado da produção está expresso em termos monetários. Pode estar representado pela receita ou valor das vendas ou do produto ou serviço prestado, durante um determinado período.
-
Valor Adicionado (VA) [SHI97, JPC98 e DLU98] – O VA é uma medida de output mais real, expressa em valores monetários e representa a riqueza gerada pela empresa através de seu processo de produção ou serviços. Pode ser obtido através do resultado das vendas menos os valores pagos a fornecedores/ terceiros (consulte a Figura II.1).
Pode-se representá-lo graficamente da seguinte forma:
Figura II.1 Representação Gráfica do Valor Adicionado
Para cálculo da produtividade no setor de software utilizamos como output tanto o resultado da receita total (Vendas) como da riqueza gerada (VA).
Medidas de input (recursos necessários para produzir)
Input refere-se aos recursos, tangíveis ou intangíveis, necessários para produzir mercadorias ou serviços. Podemos dizer que os input dividem-se em três diferentes classificações: trabalho, capital e intermediários. refere-se aos recursos, tangíveis ou intangíveis, necessários para produzir mercadorias ou serviços. Podemos dizer que os input dividem-se em três diferentes classificações: trabalho, capital e intermediários.
- Trabalho - normalmente expresso em termos de: - normalmente expresso em termos de:
Número de empregados Despesas com pessoal Total de horas trabalhadas
- Capital - normalmente expresso em termos de: - normalmente expresso em termos de:
Volumes físicos (tempo de utilização de uma máquina) Valores monetários (ativo permanente, máquinas e equipamentos, ativo total)
-
Input intermediários - compreendem compra de materiais, energia e serviços medidos em volumes físicos (Kg, toneladas ou Kwh de energia comprada) ou valores em termos monetários (valor da energia comprada, dos materiais, etc.) intermediários - compreendem compra de materiais, energia e serviços medidos em volumes físicos (Kg, toneladas ou Kwh de energia comprada) ou valores em termos monetários (valor da energia comprada, dos materiais, etc.)
É necessário esclarecer que, muito mais importante do que considerarmos apenas a fórmula da produtividade, faz-se necessário que a sua utilização esteja fundamentada em um conceito mais amplo e abrangente e que tenha como principal objetivo promover o desenvolvimento sustentável, de forma que todos os fatores envolvidos sejam medidos e verificados sistemicamente.
O Conceito de Produtividade Sistêmica – PS
Para o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade - IBQP-PR, o conceito de Gestão pela Produtividade Sistêmica tem uma abordagem sistêmica e integrada, que visa a sinergia e a dinâmica de todos os fatores diretos e indiretos de produção. Ou seja, considera que, além do desempenho de uma economia, os aspectos sociais e ecológicos são imprescindíveis para a qualidade de vida e de trabalho de todos os cidadãos. Assim, para o IBQP-PR, a produtividade tem como objetivo principal o desenvolvimento sustentável com o melhor padrão de vida para a sociedade. A produtividade tem, acima de tudo, uma função social, e o conceito de Produtividade Sistêmica está fundamentado nesta função.
Neste modelo, todos os fatores - Gestão, Humano, Meios de Produção, Inventário e Recursos Naturais e os referenciais - Distribuição e Comparação estão integrados e têm como objetivo central o desenvolvimento sócio-econômico sustentável da empresa.
A conceituação dos fatores da PS e alguns de seus indicadores são apresentados a seguir:
1. Fator Gestão
Conceito: é a relação entre os recursos utilizados e os resultados obtidos através do gerenciamento efetivo de todos os fatores que compõem o sistema.: é a relação entre os recursos utilizados e os resultados obtidos através do gerenciamento efetivo de todos os fatores que compõem o sistema.Indicadores analisados: Resultado das vendas e do Valor Adicionado - VA, Percentual do VA em relação às vendas, Produtividade do Capital (Contribuição do ativo no VA), Rentabilidade do ativo e Margem líquida. Resultado das vendas e do Valor Adicionado - VA, Percentual do VA em relação às vendas, Produtividade do Capital (Contribuição do ativo no VA), Rentabilidade do ativo e Margem líquida.
2. Fator Humano
Conceito: é a relação entre o resultado obtido em um determinado período e o número de pessoas envolvidas ou o valor investido nessas pessoas (despesas com pessoal).: é a relação entre o resultado obtido em um determinado período e o número de pessoas envolvidas ou o valor investido nessas pessoas (despesas com pessoal).
Indicadores analisados: Produtividade do trabalho, Vendas por empregado e Contribuição das despesas com pessoal no VA. Produtividade do trabalho, Vendas por empregado e Contribuição das despesas com pessoal no VA.
3. Fator Meios de Produção
Conceito: é a relação entre o resultado da produção e os meios utilizados para a sua obtenção. é a relação entre o resultado da produção e os meios utilizados para a sua obtenção.Indicadores analisados: Contribuição dos meios de produção nas vendas e no VA. Contribuição dos meios de produção nas vendas e no VA.
4. Fator Inventário
Conceito: é a relação entre a produção e o estoque.: é a relação entre a produção e o estoque.Indicadores analisados: Contribuição dos estoques nas vendas e no VA. Contribuição dos estoques nas vendas e no VA.
5. Fator Recursos Naturais
Conceito: é a otimização do uso racional dos recursos naturais, visando minimizar ou eliminar os efeitos ambientais decorrentes das atividades humanas.
Indicadores analisados: Percentual do recurso natural utilizado (água, luz, carvão etc.) em relação às vendas ou ao VA. Percentual do recurso natural utilizado (água, luz, carvão etc.) em relação às vendas ou ao VA.
Quanto aos referenciais, apresentam-se da seguinte forma:
1. Referencial de Distribuição
Conceito: distribuição justa da riqueza gerada pela empresa entre empresários, trabalhadores, governo, consumidores, investimentos e terceiros (aluguéis e bancos).: distribuição justa da riqueza gerada pela empresa entre empresários, trabalhadores, governo, consumidores, investimentos e terceiros (aluguéis e bancos).
Indicadores analisados: parcela do VA destinada aos empresários, trabalhadores, governo, consumidores, investimentos e terceiros (aluguéis e bancos). parcela do VA destinada aos empresários, trabalhadores, governo, consumidores, investimentos e terceiros (aluguéis e bancos).
2. Referencial de Comparação
Conceito: é o processo de comparação a uma fonte preestabelecida e determinada dos fatores e referencial da PS; é o produto informação. Uma das formas para melhor exprimir este referencial é através do conceito de "benchmarking", que consiste em desenvolver um processo contínuo e sistemático de comparação das práticas de negócios reconhecidas como melhores em suas áreas, com o propósito de melhoramento e desenvolvimento organizacional. é o processo de comparação a uma fonte preestabelecida e determinada dos fatores e referencial da PS; é o produto informação. Uma das formas para melhor exprimir este referencial é através do conceito de "benchmarking", que consiste em desenvolver um processo contínuo e sistemático de comparação das práticas de negócios reconhecidas como melhores em suas áreas, com o propósito de melhoramento e desenvolvimento organizacional.
Indicadores analisados: O conceito prevê que todos os indicadores da PS devam ser comparados com os mesmos indicadores, obtidos tanto em nível nacional como internacional. Porém, esta comparação está limitada à disponibilidade destes resultados, através de pesquisas, artigos ou relatórios de outras instituições. O conceito prevê que todos os indicadores da PS devam ser comparados com os mesmos indicadores, obtidos tanto em nível nacional como internacional. Porém, esta comparação está limitada à disponibilidade destes resultados, através de pesquisas, artigos ou relatórios de outras instituições.
A Pesquisa sobre a Produtividade Sistêmica do Setor de Software no Brasil: 1999
Nesta primeira pesquisa alguns fatores, [SHI97 e MAT97] como Meios de Produção, Inventário e Recursos Naturais, tornaram-se inviáveis de medição, em virtude das características do setor, da especificidade dos dados necessários para cálculo ou da necessidade de informações detalhadas, as quais não estavam disponíveis.
Quadro II.2 – Indicadores utilizados na Pesquisa
Metodologias Utilizadas na Pesquisa
A população alvo da pesquisa Produtividade Sistêmica no Setor de Software Brasileiro foi definida como "empresas com receita predominante proveniente da comercialização de produtos e serviços de software próprio, ou da distribuição ou editoração de software de terceiros" e a metodologia de pesquisa utilizada foi a amostragem.
A primeira pesquisa de Produtividade Sistêmica - PS no Setor de Software Brasileiro está baseada em uma amostra de 193 empresas, cujos dados contábeis foram enviados, através de formulário próprio, à SEPIN, repassados ao IBQP-PR e, após análise preliminar, foram ativadas as informações de 177 empresas. Aplicando o intervalo de confiabilidade de Neymam [ZAS72], podemos afirmar que a pesquisa é representativa. Alcançamos a representatividade com um total mínimo amostral de 154 empresas.
Para um nível de significância pré-fixado de 5%, o que corresponde a um nível de confiabilidade de 95% sobre os resultados da pesquisa, admitindo-se que a variância de variável de interesse é desconhecida, o erro máximo desta amostra é de 7,1%.
Neste primeiro momento de realização da pesquisa, a análise está baseada na comparação entre grupos de empresas, estabelecidos de acordo com o porte referente à força de trabalho – aqui considerados os empregados efetivos da empresa.
O critério utilizado para classificação resultou em:
Microempresas – de 1 a 10 funcionários Pequenas – de 11 a 50 funcionários Médias – de 51 a 100 funcionários Grandes – mais de 100 funcionários
A partir da próxima pesquisa, com realização prevista para 2001, será possível apresentar a análise de tendência bem como definir índices-padrão para o setor.
Na análise da pesquisa, utilizamos duas metodologias:
Decis
Esta metodologia proporciona nove medidas de posição, permitindo uma idéia mais clara da distribuição estatística dos resultados tabulados, principalmente porque os resultados dos indicadores da PS apresentam-se bastante variáveis [MAT97].
Análise de Dispersão
Na análise de dispersão, um diagrama é utilizado para verificar se existe relação de causa e efeito entre duas variáveis; ele não prova que uma variável afeta a outra, mas torna claro se existe relação e qual a sua intensidade [KUM93].
Utilizando essa ferramenta é possível, após colocarmos as variáveis no eixo "x" e "y", analisar a intensidade da relação existente em um grupamento de dados setoriais. Quanto mais o grupamento tende a uma linha reta com coeficiente de determinação (r2) próximo de "1", maior é a relação linear entre as variáveis. Da mesma forma, quanto mais o resultado distancia-se de "1" menor é a relação ou, até mesmo, não existe relação linear entre as variáveis.
Resultados da Pesquisa
Os resultados de faturamento, valor adicionado (VA) e dos indicadores, produtividade do trabalho e vendas por empregado, das 177 empresas pesquisadas em 1999 forneceram um primeiro quadro da Produtividade Sistêmica do Setor de Software no Brasil.
Quadro II.3 Resultados de Faturamento, VA, Produtividade do Trabalho e Vendas por Empregado
O resultado médio do indicador faturamento/empregado das empresas americanas de software, em 1998, foi de 142 mil dólares por empregado [IBW98]. Portanto, nas empresas brasileiras, o resultado de R$ 123.424,71 (cerca de US$ 69 mil) mostra que há muito a melhorar para atingir este referencial.
A composição do setor de software no Brasil é principalmente de pequenas e microempresas (até 50 funcionários), que totalizam 73% do total (consulte o Gráfico II.15).
Gráfico II.15 Porte das empresas, segundo a força de trabalho efetiva
Quanto à representatividade de cada faixa no faturamento e no VA, os resultados demonstraram que as micro, pequenas e médias empresas representam 8% do total do faturamento e 6% do total da riqueza gerada pelo setor (consulte os Gráficos II.16 e II.17).
Gráfico II.16 Contribuição das empresas no total da receita líquida, segundo porte
Gráfico II.17 Contribuição das empresas no total do valor adicionado (VA), segundo porte
Percebemos que as faixas de micro, pequenas e médias empresas somam 81% do setor mas representam menos de 10% do faturamento e da riqueza gerada. Esta constatação mostra a necessidade do desenvolvimento de políticas relacionadas a investimentos e/ou projetos de melhorias que visem aumentar a representatividade dessas empresas no que diz respeito ao faturamento e VA.
Análise dos Decis
A seguir, apresentamos o resumo dos indicadores e qual faixa (micro, pequenas, médias e grandes empresas) apresentou resultado superior e inferior em cada limite analisado.
Quadro II.4 Resultados Superiores e Inferiores dos Indicadores da PS
Percebemos que a maior parte dos resultados superiores pertencem às microempresas (margem líquida, produtividade do trabalho, vendas por empregado, contribuição das despesas com pessoal no VA, e % VA/Vendas, exceto no limite superior) e que as médias e grandes empresas apresentam a grande maioria de resultados inferiores.
Podemos dizer que as grandes e médias empresas têm a possibilidade de aprender com as micro e pequenas (benchmark) e que, as médias empresas, talvez na tentativa de crescer rapidamente, estão apresentando os menores resultados financeiros e de produtividade. Esta situação deve ser cuidadosamente analisada, uma vez que poderá afetar a competitividade dessa faixa de empresas.
Fator Gestão
Os resultados de Vendas e VA variam significativamente entre as faixas bem como dentro da mesma faixa.
Quadro II.5 Resultados de Vendas e VA por Porte das Empresas de Software
Quanto ao percentual da riqueza gerada pela empresa em relação às vendas (VA/Vendas), com exceção do limite superior, os melhores resultados pertencem às microempresas e os menores às médias. O resultado no limite superior das médias está bem próximo do resultado apresentado no limite inferior das micro, onde praticamente 50% é riqueza gerada pela empresa e 50% são valores repassados a terceiros (consulte os Gráficos II.18).
Gráficos II.18 Percentual VA/Vendas nas Micro e Médias Empresas de Software
O indicador Produtividade do Capital nos possibilita perceber a efetividade com que a empresa utilizou seus bens e direitos ou, então, quanto cada R$ 1,00 investido em bens e direitos gerou de riqueza para a empresa. As faixas de micro, pequenas e grandes empresas apresentaram resultados próximos e os menores resultados, com exceção do limite inferior, foram apresentados pelas médias empresas (consulte os Gráficos II.19).
Gráficos II.19 Produtividade do Capital em Empresas de Software
Nas faixas de micro e pequenas encontram-se as empresas com maior capacidade de capitalização, isto é, os investimentos em ativo geram mais lucro (no limite superior, o retorno é de R$ 1,17 para cada R$ 1,00 investido em bens e direitos). As médias e grandes empresas apresentaram os menores resultados no indicador rentabilidade do ativo em empresas de software, no mesmo limite o retorno foi de R$ 0,38 para cada R 1,00 investido. (consulte os Gráficos II.20).
Gráficos II.20 Rentabilidade do Ativo em Empresas de Software
Os melhores resultados de margem foram apresentados pelas micro e pequenas empresas. As médias e grandes apresentaram os menores resultados (consulte os Gráficos II.21).
Gráfico II.21 Margem Líquida das Empresas de Software
Fator Humano
Considerando o limite superior, as microempresas apresentaram os melhores resultados nos indicadores vendas por empregado e produtividade do trabalho (respectivamente, R$ 130 e 100 mil). Os menores resultados neste indicador pertencem as médias empresas, no limite superior R$ 45 mil por funcionário, distante do segundo menor resultado, apresentado na faixa das pequenas empresas que foi de R$ 65 mil por funcionário (consulte os Gráficos II.22).
Gráfico II.22 Produtividade do Trabalho e Vendas por Empregado em Empresas de Software
A contribuição das despesas com pessoal (salários, encargos, benefícios, treinamentos, remuneração de diretoria etc.) na geração de riqueza foi mais significativa nas microempresas, onde as pessoas apresentaram um retorno de R$ 6,73 cada R$ 1,00 investido. O segundo melhor retorno, de R$ 3,67, foi apresentado pelas pequenas empresas. Os menores resultados foram das médias empresas, as quais, no limite superior, obtiveram retorno de R$ 2,14 para cada R$ 1,00 investido (consulte os Gráficos II.23).
Gráficos II.23 Contribuição das Despesas de Pessoal no VA das Empresas de Software
Referencial de Distribuição do VA
Quanto à distribuição das parcelas que compõem o VA (consulte Figura II.25), a análise mostrou que:
Trabalho – Esta é a parcela mais representativa em todas as faixas. Nas médias e grandes empresas representa cerca de 69% do VA e nas micro e pequenas cerca de 50%.
Investidor – A remuneração pelo capital investido é mais representativa nas micro e pequenas empresas (cerca de 30%). Nas médias e grandes empresas esta parcela diminui para cerca de 14% do total da riqueza gerada. Na distribuição entre essas duas principais parcelas que compõem o VA (trabalho e investidor) percebemos que as microempresas, as quais apresentam os melhores resultados em vários indicadores, inclusive Produtividade do Trabalho, são as que apresentam os menores percentuais de participação dos empregados na riqueza gerada e os maiores percentuais para o investidor. Por outro lado, as médias empresas que em diversos indicadores apresentam os menores resultados, são as que repassam os maiores percentuais de VA para seus funcionários.
Impostos e taxas - As micro e pequenas empresas são as que repassam os maiores percentuais ao governo, em média 10% do total do VA. Nas grandes e médias empresas este percentual diminui para cerca de 4,5%. - As micro e pequenas empresas são as que repassam os maiores percentuais ao governo, em média 10% do total do VA. Nas grandes e médias empresas este percentual diminui para cerca de 4,5%.
Investimentos – A faixa que mais investe em imobilizado (incluindo máquinas e equipamentos) é a das grandes empresas onde a depreciação representa, em média, 11,75% da riqueza gerada. Nas microempresas este total diminui para cerca de 1,65% do total do VA e nas pequenas e médias cerca de 4,5%.
Despesas Financeiras – As médias empresas apresentam os menores percentuais referente a juros ou taxas financeiras pagas (1,61%) e as grandes os maiores percentuais (4,36%), os quais estão relacionados à maior capacidade de endividamento por parte destas.
Gráficos II.24 Distribuição do VA nas Empresas de Software do Brasil
Diagrama de Dispersão
Para esta análise tomamos como referência o resultado da Produtividade do Trabalho e do Valor Adicionado e, a partir da correlação com alguns fatores, foi possível perceber se estes afetam ou não em seus resultados (consulte o Quadro II.6).
O maior número de profissionais qualificados (mestres, doutores, técnicos em informática e em pesquisa e desenvolvimento) e os maiores investimentos em máquinas e equipamentos e/ou em pessoal (benefícios e incentivos) apresentam correlação positiva com os melhores resultados do Valor Adicionado mas não com o resultado da Produtividade do Trabalho. Esses resultados nos levam a concluir que, em todas as faixas existe a necessidade de implementação de ferramentas e/ou metodologias que visem melhores resultados na produtividade, relação output/input (resultados obtidos em relação aos recursos empregados) e que também é possível a utilização da ferramenta "benchmark" com grupos de empresas que se destacaram e que apresentaram resultados superiores.
Quadro II.6 Correlação de Fatores com o VA e a Produtividade do Trabalho
Porte da Empresa
Os resultados mostraram correlação positiva entre aumento no número de empregados e melhores resultados do VA. Porém, em relação a produtividade do trabalho os fatores não apresentaram correlação. Esta evidência mostra a necessidade e/ou oportunidade de desenvolvimento de programas ou projetos que visem a melhoria da produtividade em todas as faixas.
Profissionais Qualificados e Despesas com Pessoal
O maior número de profissionais qualificados (doutores, mestres, profissionais de informática ou P&D), bem como o maior investimento nas pessoas (salários, benefícios, treinamentos etc.) exercem influência positiva na geração de maior riqueza para a empresa (Valor Adicionado), mas não exercem a mesma influência no resultado da produtividade do trabalho (os resultados apresentaram dispersão). Esse resultado direciona para a necessidade e/ou oportunidade de muitas empresas aumentarem a eficiência/eficácia na relação output/input (neste caso, melhor utilização e/ou aproveitamento dos recursos e investimentos relacionados ao fator humano).
Média Salarial
Não existe correlação entre o aumento na média salarial e os melhores resultados do VA. Quanto à correlação com a produtividade do trabalho, como o resultado da reta foi de aproximadamente 0,50, podemos dizer que existe a probabilidade de que as maiores médias salariais "incentivam" seus resultados.
Investimentos em Máquinas e Equipamentos e/ou Pesquisa e Desenvolvimento
A análise mostrou que os maiores investimentos proporcionam maior riqueza para a empresa, porém, com relação à produtividade do trabalho, esses fatores não apresentaram influência (a dispersão foi acentuada). Os resultados mostram que, em todas as faixas, é necessário a busca de melhores resultados de produtividade, tanto do trabalho como do capital, neste caso, através da maior eficiência/eficácia na utilização das máquinas e equipamentos e/ou pesquisa & desenvolvimento;
Percentual VA/Vendas em relação ao VA
A gestão eficaz é determinante para os bons resultados de rentabilidade e produtividade (trabalho e capital) e, o aumento da riqueza gerada e do percentual dessa riqueza em relação às vendas da empresa é uma conseqüência dessa boa gestão. Analisando a correlação entre esses dois fatores percebemos que o aumento do VA, em valores monetários, não é acompanhado pelo aumento do percentual do VA em relação às vendas. Mais uma vez, a análise mostra a existência de empresas "referenciais" e a necessidade do desenvolvimento de programas que visem aumentar a qualidade e produtividade e consequentemente o resultado do percentual do VA em relação às vendas.
|