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Márcia Valéria
Os doadores do Programa Piloto de Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7) querem que os projetos financiados pelos países membros do Grupo dos 7 tenham resultados mais práticos e que influenciem nas políticas públicas nos níveis federal, estaduais e municipais, além de gerar um modelo de conhecimento sobre a Amazônia. A advertência foi feita ontem em Manaus aos participantes do seminário de consolidação da proposta do projeto da Fase II do Subprograma de Ciência e Tecnologia do PPG7 (SPC&T), pelo representante do Banco Mundial, Josef Leitman.
Desde a sua criação, em 1992, o PPG7 já investiu US$ 90 milhões, a fundo perdido, para financiar a preservação das florestas tropicais brasileiras por meio do Fundo Fiduciário das Florestas Tropicais/Banco Mundial, que administra os recursos oriundos dos países do G7 e de contratos bilaterais firmados com a Comissão Européia e Países Baixos.
Segundo Leitman, na Fase I do SPC&T, que recebeu recursos da ordem de US$ 16 milhões, a abordagem dos projetos foi superficial respondendo mais às necessidades e expectativas do pesquisador e sua instituição do que às demandas do PPG&, que foi criado para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica.
A secretária Técnica do SPC&T, Isabel Canto, informa que projeto SPC&T-Fase II, para tingir os objetivos do PPG7, vai dedicar particular interesse às interfaces entre os recursos da sociedade e os recursos da natureza, mediante ações de participação e disseminação de informações e de resultados de pesquisa. Segundo ela, a formação de Grupos de Pesquisa (GPS) é o primeiro passo para a participação no Subprograma. " Pesquisadores interessados no escopo e propósito do projeto deverão articular-se entre si na busca de identificar indivíduos para o desenvolvimento das pesquisas", informa.
Para nortear a Fase II do SPC&T, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) prevê a formação de duas redes temáticas de pesquisa: "Manejo e Recuperação de Áreas Degradadas" e "Integridade de Bacias Hidrográficas, Manutenção de Ecossistemas Aquáticos e seus Recursos". Isabel Canto afirma que é preocupação do MCT fortalecer a pesquisa científica na região amazônica através da formação e fixação de recursos humanos qualificados e da interação entre os institutos de pesquisa da Amazônia e de outras regiões do País. "Apesar da importância científica da biodiversidade amazônica, apenas 3% da força tarefa de pesquisadores se encontram na Amazônia. Isto tem que mudar e, por este motivo, nessa segunda fase do Subprograma vamos priorizar a formação de recursos e apoiar as redes", afirmou.
A região de abrangência do projeto é a Amazônia Legal. Serão destinados US$ 10 milhões para as duas redes temáticas. As ações de disseminação de informação e de resultados de pesquisas receberão US$ 2,5 milhões. Os recursos serão liberados em quatro anos, a partir de 2002.
Fonte: Gazeta Mercantil Amazonas - 19/10/2001 (Fim de Semana, 20 e 21/10/2001) |