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Tecnologia industrial de produtos madeireiros e não-madeireiros

Título do projeto: Tecnologia industrial de produtos madeireiros e não-madeireiros
Coordenador: Marcos Antonio Eduardo Santana
Instituição executora do projeto de pesquisa/UF: Embrapa Amazônia Oriental
Perfil do grupo de pesquisa: consolidado


RESUMO
As investigações dos produtos não madeireiros estão focadas nos extrativos de madeiras, leite de amapá-doce, óleo de andiroba e farinha da castanha-do-pará. Os extrativos de seis espécies manejadas da Flona do Tapajós, que se destacaram por seus elevados teores, serão separados por extração com solventes e cromatrografia líquida de alto desempenho (HPLC) e identificados estruturalmente por espectroscopias de infravermelho (IR), Raman e ressonância nuclear magnética (RNM). As propriedades farmacológicas de algumas substâncias extraídas das madeiras de Dipteryx odorata (cumaru), Vatairea paraensis (fava-amargosa), Clarisia racemosa (guariúba), Tabebuia incana (ipê-amarelo), Mezilaurus itaúba (itaúba) e Sextonia rubra (louro-vermelho) também serão testadas. O leite do amapá-doce, por se tratar de produto altamente perecível que requer manipulação e acondicionamento especiais, terá as suas características químicas e biológicas determinadas, com vistas a encontrar as condições para a melhor conservação do produto. A pesquisa em relação à obtenção de óleo de andiroba (Brosimum parinarioides Ducke) visa avaliar três diferentes metodologias de extração: artesanal, mecânica e por solventes e comparar a qualidade dos produtos obtidos por meio da quantificação do teor de triterpenóides usando técnicas espectroscópicas. Uma das principais causas que desestimulam o uso de castanha-do-pará (Bertholletia excelsa H.B.K.) como matéria prima está relacionada com a estabilidade da farinha obtida durante o processo de extração do óleo da amêndoa. Assim, propõe-se comparar os rendimentos de três métodos de extração: mecânico, químico e com CO2 supercrítico, para obter um produto com baixo teor de gordura, que terá as características físicas, químicas e organolépticas padronizadas para ser usada em alimentos. Os produtos madeireiros serão abordados por dois temas, o primeiro está relacionado com a identificação anatômica de um grupo de espécies similares e, o segundo, com agrupamento de espécies de acordo com processo de secagem. Para contornar a dificuldades em identificações de madeiras de espécies com características morfológicas semelhantes e que são indevidamente comercializadas como mogno (Swietenia macrophylla King ), as madeiras de: Carapa guianensis Aubl. (andiroba); Cedrela odorata L. (cedro); Erisma uncinatum Warm. (cedrinho); Guarea duckei C. DC (jitó) e Micropholis melinoniana Pierre (curupixá) serão coletadas e analisadas quimicamente por espectroscopia infravermelho próximo (FT-NIR). Neste caso, a anatomia e química da madeira serão ferramentas complementares para a identificação botânica. Para tornarem viáveis economicamente os planos de manejo das florestas naturais, o desafio é utilizar a maior diversidade de espécies madeireiras possível, mantendo a variabilidade genética natural. Com o objetivo de agrupar espécies de acordo com o seu comportamento durante o processo de secagem, serão estudadas 15 espécies madeireiras consideradas não comerciais, provenientes de um plano de manejo sustentado. Estes estudos incluirão seleção de espécies, identificação anatômica, caracterização física e térmica, definição de programa de secagem baseado nos princípios do processo de secagem Embrapa/ Engref e ensaios finais em  secadora industrial.


METAS DO PROJETO DE PESQUISA
  • Isolar e caracterizar os principais constituintes químicos dos extrativos das espécies Dipteryx odorata (cumaru), Vatairea paraensis (fava-amargosa), Clarisia racemosa (guariúba), Tabebuia incana (ipê-amarelo), Mezilaurus itauba (itaúba) e Sextonia rubra (louro-vermelho) provenientes da Flona do Tapajós e identificar espectroscopicamente (FTNIR, Raman e RMN) os compostos que possam ser utilizados industrialmente para fins diversos e avaliar o potencial farmacológico dos extratos brutos;
  • Avaliar os processos tradicionais de extração do óleo de sementes da Carapa guianensis (andiroba), comparando-os com outras metodologias, além de identificar os principais compostos extraídos ou produzidos no óleo obtido, durante o processo de extração artesanal quando em comparação com as técnicas de prensagem mecânica e extração por solvente. Os óleos obtidos serão caracterizados e identificados quanto ao teor de triterpenóides;
  • Avaliar a conservação do leite do amapá-doce através do estudo de suas características após extração, com avaliações físico-químicas, enzimáticas e microbiológicas que proporcionem uma melhor condição para otimizar o processo de conservação do produto;
  • Obter uma farinha de castanha-do-brasil com o menor teor possível de óleo residual a partir de ajustes nos métodos de extração mecânico, químico e com a utilização do CO2 supercrítico. Comparar a qualidade e a estabilidade das farinhas obtidas por meio da caracterização de suas propriedades físico-químicas, químicas, nutricionais, microbiológicas e micotoxicológicas. Comparar a vida-de-prateleira das farinhas obtidas;
  • Efetuar análise química da madeira de Swietenia macrophylla King (mogno), Carapa guianensis Aubl. (andiroba); Cedrela odorata L. (cedro); Erisma uncinatum Warm. (cedrinho); Guarea duckei C. DC (jitó) e Micropholis melinoniana Pierre (curupixá) por espectroscopia no infravermelho próximo, construir estatisticamente curvas espectrais modelos e verificar a viabilidade de seu uso na identificação botânica de cada espécie;
  • Caracterizar microscopicamente o xilema secundário das espécies: Swietenia macrophylla King (mogno), Carapa guianensis Aubl. (andiroba); Cedrela odorata L. (cedro); Erisma uncinatum Warm. (cedrinho); Guarea duckei C. DC (jitó) e Micropholis melinoniana Pierre (curupixá); Dipteryx odorata (cumaru); Vatairea paraensis (fava-amargosa); Clarisia racemosa (guaiuba); Tabebuia incana (ipê-amarelo); Mezilaurus itauba (itaúba) e Sextonia rubra (louro-vermelho);
  • Selecionar 15 espécies madeireiras consideradas não comerciais, em área sobre manejo sustentado;
  • Identificar anatomicamente as 15 espécies selecionadas;
  • Caracterizar física e termicamente as espécies selecionadas;
  • Estabelecer programa de secagem da madeira para as espécies selecionadas, baseado nos princípios do processo de secagem Embrapa/ Engref;
  • Comprovar os programas de secagem estabelecidos para os grupos em secadora industrial.

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