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Paisagens sustentáveis

Título do projeto: Paisagens Sustentáveis
Coordenador: Britaldo Silveira Soares Filho
Instituição executora do projeto de pesquisa /UF:
Perfil do grupo de pesquisa: consolidado


RESUMO
A Amazônia está entrando em uma era de rápidas mudanças impulsionadas pela previsão de asfaltamento de rodovias e pelo crescimento da pecuária e da soja que estimularão ainda mais a expansão da fronteira agrícola e de exploração madeireira. O alcance do impacto das rodovias propostas e da expansão da fronteira agrícola nas mudanças de uso e cobertura do solo dependerá da eficácia dos processos de planejamento territorial já iniciados na região. A esse propósito, uma maneira promissora de se avaliar as propostas de regulamentação ambiental em discussão para a Amazônia consiste no uso de modelos de simulação. Modelos espaciais ou de paisagem, que simulam mudanças dos atributos do meio-ambiente através do território, visam auxiliar o entendimento dos mecanismos causais e processos de desenvolvimento de sistemas ambientais, e assim determinar como que eles evoluem diante de diferentes cenários que se traduzem por quadros socioeconômicos, políticos e ambientais. A análise de cenários tem sido assim empregada para se avaliar planejamentos regionais bem como estratégias de conservação ambiental, porquanto qualquer planejamento territorial que não leve em conta o fator tempo está fadado ao insucesso. Dentro desse contexto, a presente proposta, inserida dentro da subrede de pesquisa intitulada "Manejo e Recuperação de Recursos Naturais em Paisagens Antropizadas na Amazônia Oriental, objetiva desenvolver modelos de simulação de dinâmica de paisagem e aplicações para avaliação de propostas de ordenamento territorial e de conservação e recuperação ambiental, estratégias de adoção/rejeição de melhores práticas de manejo  por colonos, fazendeiros e pecuaristas e impacto de medidas de regulamentação do uso dos recursos naturais na sustentabilidade ambiental e econômica de paisagens de três regiões da Amazônia, onde os processos de planejamento já engajaram um vasto espectro de tomadores de decisão. A saber: Cabeceiras do Xingu, Transamazônica e Acre - essa última a ser usada na validação. A escolha dessas regiões se justifica devido às parcerias institucionais já estabelecidas, base de dados disponível e importância ambiental e estratégica. Esta proposta portanto se integra às pesquisas ecológica/econômicas de campo em propriedades de agricultura familiar e em grandes propriedades agropecuárias, envolvendo o levantamento da fauna, desenho de várias abordagens de manejo e recuperação da paisagem, em conjunto com suas análises econômicas de custos/benefícios. Para cada região, serão desenvolvidos sistemas de simulação que integrarão modelos de mudanças de uso do solo, de exploração madeireira, de fluxo de carbono, de risco de fogo florestal, ciclo hidrológico, perda de solos e de análise da fragmentação de habitats. Esses modelos serão adaptados e refinados para uma resolução capaz de capturar o efeito tanto das práticas atuais como de alternativas de manejo do solo e florestal, haja vista a importância da conservação da floresta em áreas de propriedades privadas para a manutenção da integridade funcional dos principais ecossistemas e bacias hidrográficas da Amazônia. Em resultado, o sistema de simulação servirá para avaliar os custos e benefícios socioeconômicos e ambientais para os produtores e sociedades locais em face de cenários macroeconômicos, de legislação ambiental e de incentivos fiscais.


METAS DO PROJETO DE PESQUISA
  • De propostas de ordenamento territorial à luz de suas indicações de uso do solo e potencialidades ambientais, sociais e econômicas e tendências de transformação do território sob enfoque, para com isso identificar áreas de maior vulnerabilidade e os impactos desse ordenamento na populações locais e na biodiversidade regional;
  • Benefícios econômicos e sociais advindos de diversas práticas agrícolas (e.g., melhores práticas x métodos tradicionais) dentro de uma gama de cenários, como mercado de certificados ambientais e de carbono, incentivos agrícolas e outras iniciativas que estimulem os  proprietários a conservar a floresta em pé, e ainda sob ótica, as vantagens/desvantagens econômica, social e ambiental entre os dominantes e outros alternativos usos do solo;
  • Estratégias de adoção de diferentes práticas de manejo do solo por colonos, fazendeiros e pecuaristas;
  • Estratégias de conservação e recuperação da paisagem, medindo a relação custo/benefício e eficiência ambiental a curto, médio e longo prazo de uma série de medidas em discussão, como recuperação da mata ciliar e da floresta em área de proteção permanente e reserva legal, prevenção, barreiras de contenção do fogo e estabelecimento de corredores de regeneração florestal;
  • Impacto de medidas de regulamentação do uso dos recursos naturais, como as restrições impostas pelo código florestal brasileiro e alternativas a essas, - reserva florestal reduzida ou concentração em áreas de proteção permanente em condomínios rurais -, na sustentabilidade ambiental e econômica de paisagens.

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