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Comitê nacional prepara plano de ação até 2018 para a ciência antártica
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A reunião do Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas. Foto: Giba/Ascom do MCTI
13/03/2013 - 22:13
Em sua 31ª operação no continente gelado, neste verão, o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) iniciou uma nova etapa na história, um ano após o incêndio que consumiu parte da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). Se depender das discussões da 12ª reunião ordinária do Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas (Conapa), nesta quarta-feira (13), o renascimento da base vai trazer consigo uma nova orientação para a política de investimentos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em projetos da área.

“Temos que ter uma ideia do que queremos, como comunidade científica, como governo e como sociedade civil, para a grande ciência antártica”, disse o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre. “Agora, precisamos realmente passar para uma próxima fase, que é pensar estrategicamente o que fazer nos próximos cinco ou dez anos.”

Por encomenda do MCTI, um grupo de pesquisadores elaborou um plano de ação para a ciência antártica até 2018. O coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, Jefferson Simões, apresentou a proposta durante a reunião. “Vamos tentar aumentar o protagonismo do Brasil dentro do sistema do Tratado Antártico, garantindo ao país reconhecimento como um dos líderes nas investigações sobre o papel dos processos polares no Hemisfério Sul”, antecipou.

Guiado por orientações do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica (Scar, na sigla em inglês), o plano de ação proposto prevê programas em cinco áreas integradas, que abrangem, por exemplo, atmosfera, mudanças climáticas, oceanografia e geologia. A proposta aponta ainda novas fronteiras de pesquisa, como astronomia no platô antártico, biodiversidade em condições extremas e ciências sociais – arqueologia, sociologia da ciência e geopolítica.

O grupo de trabalho também sugeriu um seminário de avaliação global do Proantar e a renovação dos dois INCTs ligados à área polar – da Criosfera e Antártico de Pesquisas Ambientais –, em edital a ser lançado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI).

A coordenadora para Mar e Antártica do MCTI, Janice Trotte Duhá, informou ao comitê que o Plano Anual de Monitoramento e Avaliação do MCTI tem o Proantar como um de seus elementos, para diagnosticar organização, estrutura e produtividade acadêmica do programa. “Ou seja, a partir do momento em que aprovarmos e criarmos esse plano de ação para a ciência antártica, estaremos inserindo isso numa plataforma permanente do ministério”, ressaltou.

Desenvolvimento

Segundo Carlos Nobre, a presença brasileira no Polo Sul mudou de patamar nos últimos 15 anos. “Hoje, o programa pode ser considerado de fato científico, porque começamos a ver mais densidade e diversidade nas pesquisas”, constatou o secretário, que coordena o Conapa. “A produção científica, medida por publicações internacionais, e a seleção de duas propostas de INCT atestam a consolidação do Proantar.”

Condições estabelecidas pelo Tratado da Antártica, que embarga a exploração econômica até 2048, fazem do continente “o único lugar do planeta onde a ciência caminha completamente livre”, conforme definiu Nobre, ao relatar a situação do Polo Norte: “Como o Ártico é palco de uma disputa geopolítica por recursos naturais, a pesquisa para busca do conhecimento fica condicionada.”

O coordenador do Conapa definiu os dois polos como grandes controladores do clima em todo o mundo. “O Ártico é quase uma bomba relógio e, se perturbado, pode liberar na atmosfera uma quantidade imensa de metano”, explicou. “A Antártica é uma massa muito mais robusta e as condições estão mais equilibradas, mas isso não quer dizer que não possa se desequilibrar.”

A experiência no Oceano Ártico acendeu o sinal de alerta para o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Roberto Cavalcanti. “O ano de 2048 pode parecer longe, mas está logo ali, e, quando começar a exploração dos recursos naturais, o critério de sustentabilidade vai ser absolutamente central na Antártica”, previu. “Nós do MMA vamos ser aqueles insistentes de plantão. Sem sustentabilidade a gente não pode avançar.”

Recomeço

Nobre destacou o trabalho de limpeza da região da EACF e a instalação de módulos emergenciais para abrigar as pesquisas durante a construção da nova estação. “Fiquei surpreso com a velocidade com que a Marinha do Brasil organizou as atividades”, afirmou. “Tivemos uma grande participação científica neste verão. Isso mostra uma comunidade determinada em atingir seu objetivo.”

O secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, contra-almirante Marcos Silva Rodrigues, reforçou o desdobramento da Marinha para atender os objetivos do verão. “O primeiro era minimizar o impacto ambiental, mas gostaria de enfatizar: nossa operação logística existe para atender as pesquisas científicas”, disse. "Estamos terminando a 31ª Operação Antártica e, como previsto, o navio Almirante Maximiano ficou voltado apenas para a pesquisa, com apoio do Ary Rongel, que também foi utilizado para isso.”

Entre novembro e janeiro, os militares limparam a área em dez dias de trabalho e desmontaram a estação em outros 27. Eles retiraram cerca de 60 mil metros cúbicos de neve e gelo e recolheram 820 toneladas de resíduos, embarcadas no navio mercante Germania. Os trabalhos envolveram 134 profissionais.

Colaboração

O chefe da Divisão do Mar, da Antártida e do Espaço do Ministério das Relações Exteriores, Fábio Pitaluga, mencionou a cooperação internacional do Proantar, concentrada em vizinhos sul-americanos. Em janeiro, a presidenta Dilma Rousseff assinou acordo com o Chile, durante a reunião de cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, em Santiago. A parceria envolve formação de pesquisadores e intercâmbio de informações, experiências, materiais e recursos logísticos.

Pitaluga citou declaração presidencial conjunta com a chefe de Estado da Argentina, Cristina Kirchner, no início do mandato de Dilma, em janeiro de 2011. “As duas governantes trataram o assunto como fundamental”, disse. Brasileiros e argentinos, no entanto, ainda negociam um futuro acordo.

O responsável científico pelo módulo Criosfera 1, Heitor Evangelista, relatou expedição ao interior do continente para manutenção da plataforma de pesquisas, de dezembro a janeiro. “Está em perfeito estado, após suportar todo o inverno, ventos intensos e temperaturas de até 70 graus Celsius negativos”, contou.

Em 2013, integrantes do Conapa devem participar da 36ª Reunião Consultiva do Tratado da Antártica (ATCM-36), em maio, na Bélgica; do 11º Simpósio Internacional de Biologia Antártica, organizado pelo Scar, em julho, na Espanha; de encontros da Convenção sobre a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos, em julho, na Alemanha; e da 24ª Reunião dos Administradores de Programas Antárticos Latino-Americanos (Rapal), em setembro, no Chile.

 

Texto: Rodrigo PdGuerra – Ascom do MCTI (atualizada em 14/03/2013).

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