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Efeito Estufa ainda é pouco discutido no Brasil

Países devem apresentar propostas para controlar poluentes em reunião da ONU em Berlim, em julho

CRISTIANE SEGATTO

Apolêmica sobre os vilões da atmosfera voltará à tona em julho, durante a próxima reunião do secretariado da Convenção sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) que será realizada em Bonn, na Alemanha. Até lá, todos os países devem enviar sugestões para o controle do efeito estufa (o aumento anormal da temperatura na Terra que prejudica todos os ecossistemas do planeta).

A dois meses do encontro, a proposta brasileira nem sequer começou a ser discutida entre os ministérios envolvidos (Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Relações Exteriores). Argumentos convincentes serão necessários para enfrentar a pressão internacional que o País costuma sofrer nessas reuniões.

Os países desenvolvidos pretendem ver o Brasil incluído no Anexo 1, o grupo das nações obrigadas a reduzir os níveis de emissões de gases causadores do efeito estufa até 2010. Embora o País provoque apenas 2% das emissões globais, o bloco dos desenvolvidos argumenta que queimadas de florestas aumentam a responsabilidade do Brasil sobre os danos climáticos.

Um detalhado inventário nacional da emissão de sete gases (entre eles, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso) está sendo preparado e será finalizado em meados do próximo ano. O trabalho deve considerar apenas emissões ocorridas em 1994, uma exigência da ONU feita aos signatários da Convenção sobre Mudanças Climáticas assinada durante a Rio-92.

Números preliminares do levantamento coordenado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia mostram que as emissões brasileiras de dióxido de carbono durante a geração de energia aumentaram 13% entre 1990 e 1994. Nos Estados Unidos, onde o volume de emissões é 22 vezes maior, o crescimento registrado foi de 3%.

Contagem

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) está terminando a contagem de dióxido de carbono (CO2) emitido no Estado. São Paulo expele 60 milhões de toneladas de CO2 ao ano, 2 toneladas anuais por habitante. Estima-se que no País a média deva ficar em torno de 1 tonelada per capita. Nos Estados Unidos, essa relação é dez vezes superior.

Para cumprir as mesmas exigências de redução dos níveis de dióxido de carbono (o principal causador do efeito estufa) aplicadas aos países desenvolvidos, o Brasil teria de impor restrições ao crescimento industrial e ao uso de automóveis. Por isso, o governo federal pretende evitar essa hipótese. "Só vamos entrar no Anexo 1 se formos forçados diplomaticamente a isso", comentou o coordenador de Mudanças do Clima do Ministério de Ciência e Tecnologia, José Miguez.

Os técnicos do ministério estão reunindo dados para mostrar em Bonn a responsabilidade histórica de países como Estados Unidos e Reino Unido, que emitem grandes quantidades de dióxido de carbono desde 1840. Como o CO2 permanece na atmosfera por mais de um século, o governo pretende demonstrar a participação relativa de cada nação no efeito estufa.

Segundo Miguez, os 32 países mais ricos respondem por 70% dos gases emitidos no mundo. "Mas isso é uma fotografia da situação atual", explica. "A responsabilidade deles chega a 90% se considerarmos o vídeo dos gases acumulados nos últimos 150 anos", argumenta.

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