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Estudo realizado por 60 cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas — e respaldado por representantes de 150 países reunidos em Genebra — concluiu que as emissões de gases efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2) e metano, estão provocando o aquecimento progressivo do planeta com resultados catastróficos.
A advertência é séria. O cientista canadense James Bruce calcula que a elevação de 2,5 graus Celsius na temperatura da Terra, nos próximos 30 anos, provocará queda de até 9% no PNB dos países em desenvolvimento. Para cada tonelada de CO2 lançada no ar, sustenta o especialista, as perdas podem chegar a US$ 199. No ano passado foram emitidas seis bilhões de toneladas. É fazer a conta e se deprimir.
E há mais: a intensificação do calor aumentou brutalmente a incidência de doenças epidêmicas, como a dengue, meningite, febre amarela e a desconhecida hanta-vírus. Chama a atenção que os maiores poluidores sejam os Estados Unidos e a Rússia. Os EUA e o Canadá emitem o dobro dos demais países da Europa Ocidental e do Japão.
É duvidoso que a declaração divulgada em Genebra, fixando prazos e limites para reduzir as emissões, seja obedecida pelos EUA em ano eleitoral. É conhecida a pressão da indústria americana de combustíveis fósseis e a hostilidade da maioria republicana no Congresso a medidas disciplinadoras.
Outro sintoma preocupante é a resistência da Rússia, da Austrália e da Nova Zelândia a controles. E a situação só tende a piorar, à medida que as emissões de CO2 dos países em desenvolvimento mudarem de patamar.
Essas conclusões devem ser somadas as do relatório americano que sustenta ser o mercado consumidor dos EUA o principal responsável pelo avanço do narcotráfico no mundo. Esta dito ali com todas as palavras que de nada adianta reprimir cartéis na Colômbia e no Sudeste asiático, se milhões de americanos continuarem comprando cocaína e heroína.
Tudo isso repõe em seus devidos termos as enormes responsabilidades do país mais poderoso do mundo nestas questões. Segundo a Convenção de Mudanças Climáticas, assinada durante a Rio-92, 32 países industrializados se comprometeram a estabilizar ou reduzir, até o final do século, as emissões de gases que produzem efeito estufa no nível de 1990. Apenas a Alemanha e a Grã-Bretanha registraram avanço na questão. A situação nos EUA, no Japão e na Austrália se mantém inalterada.
Os países do Norte esquecem seus deveres ecológicos toda vez que interesses poderosos são atingidos. Preferem deslocar o foco da mídia para o desmatamento amazônico ou para as usinas nucleares dos países do Sul para manter intocados os potenciais alheios.
Como o Brasil depende sobretudo de fontes renováveis de energia, como não depende de carvão (como a Índia e a China), ele está em posição de ministrar lições no campo da energia. O Brasil pode e deve cobrar do Norte industrializado os compromissos ambientais subscritos e não cumpridos. |