Com a curiosidade estampada nos olhos, crianças de quatro escolas municipais de Salvador tiveram a oportunidade de vivenciar, experimentar e compreender melhor como o conhecimento científico pode ajudar na prevenção a doenças e na promoção da saúde. O encontro entre meninos e meninas do ensino fundamental com pesquisadores, estudantes e voluntários da Fiocruz-BA, durante as comemorações do Dia Mundial da água, reiterou certezas sobre a necessidade da difusão científica e abriu possibilidades para avaliar e pesquisar novas metodologias sobre a compreensão da ciência pela população.
A equipe de divulgadores da ciência da Fiocruz-BA, liderada pelo doutor Marcos Vannier, do Laboratório de Biomorfologia Parasitária (LBP), munida de microscópios, pôsteres, cartazes, réplicas de parasitas, entre outros elementos, se divide em quatro grupos para, em cerca de três horas, oferecer explicações sobre contaminação por microorganismos, ciclo vital dos parasitas, higiene pessoal e cuidados com a saúde. A importância da preservação do meio-ambiente, atribuindo valor às práticas cotidianas, também teve a devida atenção dos expositores. “Todos nós ganhamos. Ao compartilhar conhecimentos, desenvolvemos a cidadania e promovemos a prevenção pela educação”, avalia Vannier. A Organização Mundial de Saúde estima que saneamento básico pode reduzir a diarréia em 32%. O resultado sobe para 45%, quando associado a intervenções higiênicas, como o simples ato de lavar as mãos.
A ação do LBP integra o projeto Ciência na estrada: educação e cidadania, que visa ampliar os conhecimentos sobre as forma s de vida dos patógenos causadores de doenças que atingem a população, despertar o gosto, especificamente nos jovens, pela ciência e realizar diagnóstico parasitológico que ajudem a mapear as áreas endêmicas do estado. “Em muitos casos, informações simples como lavar as mãos e não defecar no meio ambiente ganham mais significado quando visualizadas as doenças geradas pela falta destes hábitos”, defende Vannier. “O ônibus potencializa nossa atividade, na medida que vamos a escola, a comunidade levando informações que podem ser revertidas em benefícios diretos na qualidade de vida da população. Os brinquedos, as cores, o microscópio estimulam o aprendizado e fazem as crianças perceberem a ciência de forma diferente, próximo do seu cotidiano”, defende a doutora e antropóloga Eline Deccache Maia.
Um dos poucos trabalhos em popularização da ciência no estado, o Ciência na estrada participou de quatro feiras, organizadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS), na semana passada. O manuseio do guia de doenças parasitárias, a exposição de revistas infantis de ciência e tecnologia, a apresentação de vídeos, a observação do mundo dos microorganismos, através dos microscópios, foram algumas das atividades desenvolvidas. Para estimular a interpretação das crianças, a equipe criou uma brincadeira chamada Por hora doutor (PHD), certificando todos aqueles que fazem a associação correta entre o parasita exposto na lamina do microscópio e o catalogado. “Os meninos exibem os certificados com orgulho porque se sentem inseridos no processo do conhecimento”, destaca Eline. As feiras também representaram a primeira saída do ônibus do Ciência na estrada. Segundo Vannier, a inauguração oficial do ônibus deve ocorrer no mês de abril.