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  TWAS - Academia de Ciências para os Países em Desenvolvimento
Histórico:

TWAS estimula C&T em todo o mundo em desenvolvimento

A Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento, até recentemente conhecida como Academia de Ciências do Terceiro Mundo, cuja sigla TWAS foi mantida, é uma organização internacional autônoma que promove a capacitação e excelência científica dos países do Sul.

Fundada em 1983, por um eminente grupo de cientistas sob a liderança do físico paquistanês e Prêmio Nobel Abdus Salam, a TWAS foi oficialmente inaugurada em 1985 pelo Secretário Geral das Nações Unidas, completando assim 25 anos em 2008. Seu objetivo principal são intermediar as várias atividades de cooperação, sempre procurando estimular a C&T em todos os países do Sul, inclusive naqueles onde há dificuldades maiores para seu desenvolvimento sócio-econômico. Além de estimular a pesquisa científica em áreas básicas, apóia projetos com foco na solução de problemas econômicos e sociais críticos, visando a um desenvolvimento significativo e sustentável dos países do Sul. A cooperação científica Sul-Sul, a promoção vigorosa da Ciência em todos os países, mesmo naqueles mais pobres e a promoção da mulher na Ciência, constitui objetivos maiores atuais da TWAS.

"A Academia tem papel crescentemente importante no desenvolvimento científico de boa parte da humanidade. Ela é financiada principalmente pelo Governo Italiano e pelo Conselho de Cooperação Internacional da Suécia, mas também de forma significativa e solidária pelos países relativamente mais desenvolvidos do Sul, em que se destacam Brasil, a China e a Índia, agora acrescidos da África do Sul e do México", esclareceu o vice-presidente da ABC, o matemático Jacob Palis, que foi eleito em setembro de 2006 como novo presidente da TWAS, herdando o posto do indiano C.N.R. Rao.

"O presidente preside, mas não administra - quem faz é o Diretor Executivo, Mohamed Hassan. Eu vou a Trieste, onde está a sede da TWAS três a quatro vezes ao ano por períodos curtos, e participo das decisões e discussões de novas idéias e novas atividades durante o ano todo através de redes eletrônicas. Brasil, Índia e China atualmente lideram um fundo de reserva e apoio, com mais de US$ 10 milhões, inteiramente instituído por contribuições de países em desenvolvimento", explicou o Acadêmico.

A TWAS tem hoje cerca de 700 membros dos países em desenvolvimento, além de 130 representantes dos países mais desenvolvidos, considerados membros associados, dentre eles detentores do Prêmio Nobel e da Medalha Fields. "O critério para ser membro da TWAS é muito rigoroso e vale assinalar que ja é muito expressivo o número de pesquisadores altamente qualificados interessados pelo crescimento de C&T no mundo em desenvolvimento", comentou Palis.

Para tornar-se membro, o cientista deve ser membro da Academia de seu país de origem ou do país em que trabalhe, desde que esta Academia tenha pelo menos um membro da TWAS, que deve fazer a indicação. O prazo encerra 31 de março de cada ano."Estes são critérios necessários, pois como a TWAS é muito abrangente e engloba 90% da humanidade, com cento e poucos países, precisamos selecionar bem os eleitos", disse o presidente.

Atualmente, 30% dos membros da TWAS são da América Latina, o que é considerado por Jacob Palis bastante razoável, mas poderia ser ainda mais expressivo. O Brasil tem 77 membros, em um total de 720. Segundo ele, é fundamental que os membros da TWAS da região se mobilizem para indicar candidatos em algumas áreas, que poderiam estar mais bem representadas, dada a reconhecida qualificação de pesquisadores de que dispomos existentes no país.

"Os biólogos, os físicos e os matemáticos têm sido, neste caso, mais atentos e pró-ativos, resultando numa representação relativamente boa. Nós temos ótimos pesquisadores no Brasil e em outros países da América Latina. Assim, é preciso tomar a iniciativa de indicá-los como candidatos a prêmios ou a membros em todas as áreas do conhecimento contempladas pela TWAS. Em particular , iniciou-se uma nova seção de Ciências Sociais e Econômicas, e a idéia é que ela cresça com cuidado e alta qualidade."

Palis ressaltou um programa específico na TWAS, envolvendo o Brasil, a China e a Índia, com intermediação do CNPq, no caso brasileiro, que permite que qualquer candidato qualificado no mundo em desenvolvimento possa fazer seu doutorado ou pós-doutorado no Brasil. São 50 bolsas, incluindo o pós-doutorado, desde que os candidatos sejam aceitos por instituições com notas 5,6 ou 7 na Capes. "Neste caso, a TWAS colabora não só na difusão do programa mas também fornece a passagem de ida e volta dos candidatos selecionados".

Ele destacou também um programa especial para mulheres, na TWOWS, que não é muito grande mas é significativo, e uma instituição dentro da TWAS, a TWNSO, que reúne ministros de C&T, presidentes de instituições de pesquisa e Academias de Ciências. "Esta instituição, a TWNSO, pode virar um consórcio com o G77, um grupo importante das Nações Unidas (ONU). Neste caso, o consórcio seria só com ministros de C&T. Essa é outra janela que a TWAS decidiu utilizar para sensibilizar mesmo os países mais pobres a investir em C&T".

Palis acredita ser importante para a América Latina um programa de cooperação regional mais forte. Citou a tradicionalíssima cooperação com a Argentina e o PROSUL, que é um programa de mobilidade dos cientistas na América do Sul envolvendo pesquisadores brasileiros e de países vizinhos. O PROSUL é um programa do MCT com o apoio do CNPq.

"Com o México, nós vamos assinar em breve um acordo entre nossas Academias de Ciências, sendo provável que a cooperação se fortaleça bastante. No que tange à Cuba, a cooperação é intensa, mas precisamos descobrir outros mecanismos e a TWAS pode cooperar neste processo. Penso que seria possível também triangularmos certos projetos de cooperação com o México e Cuba simultaneamente e sugerirmos aos presidentes do CNPq e da Capes um consórcio para financiar a vinda de pesquisadores cubanos ao Brasil. Com o Chile, Peru, Venezuela e outros países da região cabe igualmente fazer um esforço maior, elaborando propostas semelhantes".

Um dos mentores da Conferência Ciência no Brasil e na América Latina: Cooperação Científica Brasil - América Latina e Caribe, Jacob Palis declarou-se muito satisfeito com o resultado. "Esta conferência foi a primeira de uma série de reuniões científicas semelhantes, envolvendo diferentes grupos de Acadêmicos, que a ABC pretende promover. Isto proporcionará uma visão bastante abrangente da Ciência no Brasil, buscando-se também o fortalecimento da cooperação científica com a América Latina e Caribe".

Mais informações sobre a seleção para o Convênio CNPq/TWAS são encontradas em http://www.ictp.trieste.it/~twas/Exchange.html

 

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